
No país das maravilhas
Se eu resolvesse procurar em cada canto que eu passasse as razões por estar aqui e agora, brindando cada minuto sem o menor desprezo pelo acaso, certamente eu estaria vasculhando por possibilidades inócuas de um caminho triturado.
Certa vez, numa dessas baladas onde ninguém ouve música alguma - só se contorce - eu procurei me misturar com o mundo, tomar banho de gente, me esfregar em beiras,feito drogado, feito curto circuito, como se as linhas não parassem de contornar o meu corpo, feito traços bêbados de um neon previsível. Fui além, larguei a carruagem e a deixei virar abóbora longe dos meus olhos, dancei para misturar os ares, chacoalhar o perfume. Chutei a bunda do cavalo do príncipe encantado em mim, quebrei espelhos e, sem notar grandes gotas, tomei o primeiro gole de um caminho que me levaria à sacada mais alta da vida. Lá em cima, eu parecia deus, apenas parecia. Era miragem.
G.
foto: Joe Curtin
1 comentários:
muito bom! parabéns.
Post a Comment