Monday, November 15, 2010

Náusea doce

Ainda me restam os planos que fizemos, os doces que trocamos em brincadeiras simplórias e protetoras. Meu bem, sinto a falta dos seus olhos de perguntas caladas, do cheiro de sua vaidade que repetia pra si verdadeiros hinos de uma auto-suficiência vã. Sinto a falta da maciez dos seus travesseiros, de quando eu enfiava uma das mãos por debaixo de um deles em busca do peso da sua cabeça, das suas ideias suspensas.
Me faz uma estúpida falta falar de nossas coisas fúteis ao pé da cama, diante da tela do computador, dos filmes, das músicas. Sinto falta dos nossos cereais com leite e do seu misto-quente cheio de maionese, sinto falta da sua forma tranquila de devorar um pedaço de pizza e do seu desejo por bebidas exóticas. Sinto falta de te fotografar, de te posicionar dentro da melhor moldura.
Falar de saudade é ainda ouvir The Perishers e me lembrar do quanto projetamos para nós, daquele brinde na varanda, do confronto com os foguetes e com os pratos da mamãe, em plena noite de ano novo. Sentir essa falta enorme que você me faz, me remete de maneira fulminante à sua preguiça ao acordar, ao cheiro das suas mãos contra o meu rosto e ao branco manhoso da sua pele.
Meu bem, já não há mais o que remoer. Ter você me ensinou a sonhar melhor e não ter você me mostra que eu sou capaz de realizar esses sonhos, agora sozinho.
Obrigado pelas lembranças, pela tão simplória forma de poder remeter-me a você, para então encontrar novas formas de permacer neste mundo. Obrigado por ter se tornado tão definitivo, pelo menos, na memória. Ainda que doa, obrigado.

3 comentários:

Rafa Moura said...

perfeito

Alessandra Safra said...

nossa! vc escreve muito bem.
adorei seu blog

Sonhador said...

Parabens pelo Blog.
Me diz o que acha desse:
Alemay Sabetudo www.alemaysolucoes.com