Friday, May 01, 2009


As vezes do vôo

Era um boing daqueles bem grandes que se chutam para cruzar o atlântico numa formalidade que não comporta tantos pensamentos perdidos nos assentos de um avião. Aeromoças passavam oferecendo chá ou café, me lembro de um senhor confuso com o monitor do assento, não sabia como usar o controle remoto. Pessoas aparentemente animadas para ver a Europa, para assistirem a manhã nebulosa e fria da Lisboeta.
Lembro que tocava Kings of Convenience no meu mp3 e que o sorriso aflito estava constantemente presente no meu rosto piedoso, procurei vasculhar qualquer indício que não me fizesse sentir tão só naquela primeira experiência intensa. Completamente só, deixando família, amigos e aconchegos pra trás, era eu e a minha companhia otimista.
É estranho pensar na solidão e nas hipóteses dos seus vazios criados, estamos sempre solitários, sempre em busca de nós mesmos em experiências intimistas e obscuras, fazemos disso o nosso fetiche para viver seguindo em frente, tudo conflui para nós mesmos e, no final das contas, é com isso que podemos contar.
No ar, na madrugada, se abraçando e repetindo pensamentos que figuravam aventura e saudosismo. Lembro que fui surpreendido por uma recordação do livro “Lavoura Arcaica” do Raduam Nassar, que não foi a primeira obra literária à lidar com a metafísica do “pra onde estamos indo nesta vida” mas que foi a primeira que me assustara com a resposta tão incisiva e cruel, “estamos indo sempre pra casa”. Raduam é um gênio que tece incríveis tratados sobre a vida e os valores em singelas frases poéticas e era assim que eu me sentia, solto e sem paciência para textos. Frases e versos bastavam-me para manter a piedade.
O rumo estava traçado no plano de vôo que ilustrava a tela de LCD na minha frente, recordo-me que a todo momento eu a ligava para ver a distância percorrida e quantas horas faltavam para enxergar a manhã rasgada da Europa. A ansiedade se misturava com sensações de ter deixado muitas coisas pra trás, tive um desejo bizarro de ter a minha bagagem por perto como se ela fosse me dar mais habitat do que eu possuía naquele momento longe da porteira. Talvez isso nem fosse tão bizarro assim.
Naquele boing, não tive os primeiros questionamentos sobre a solidão ou sobre a bagagem, eu já havia percebido isso antes, porém não com tantos símbolos para fundamentarem a possibilidade de julgá-los da minha maneira.
Quando a Europa chegou, as brumas me receberam no rompimento da noite para o dia, revelando que os questionamentos estavam caminhando para um desfecho, ou talvez para um novo início.

texto e foto: Guto Franco

Sem pestanejar, vou continuar querendo agarrar a bagagem, pensando que os pães de queijo da minha avó sempre estarão me esperando em casa.

Sunday, April 26, 2009

A função das coisas

A função das coisas
está na desclassificação que as damos,
nos objetos não tocados,
nas liras não soadas.
A forma das artes está nos olhos
de quem as sofre sem cortar,
de quem geme sem se dar.
E assim,
é dando que se entristece.
A tristeza é a perda
daquilo que não conhecemos,
das faces que não obtivemos,
dos lírios que não colhemos.
Tristeza é um não
que nem se quer
pôde ser sim.
E foi desta maneira,
que a função
tornou-se um fim.

Por: Guto Franco

Sunday, March 22, 2009

Eu sou o mundo perdido


Olga assentada a mesa de jantar, fitava o nada em repouso diante da parede, em sua companhia, um papel amarelado e uma caneta tinteiro. A vitrola recém adquirida pelo seu marido ventilava Ich bin der Welt abhanden gekommen, ela descobria Gustav Mahler e descobria também que a música era o único meio de que dispunha para dedilhar-se. Ela sentia-se só na penumbra da saleta secular inundada pelo cheiro agudo de pavio recém apagado, o jantar acabou, a cerimônia conjugal deu trégua e ela mantinha-se na luta contra a inércia que a levava ás vezes ao sufoco mordaz da ausência de expressões e vozes. Olga sentia-se confinada às próprias escolhas.
Cansada de ver os talheres repousados com imponência nobre sobre a mesa, ela chorou, soluçou ao som do piano que rasgava sutilmente suas memórias da juventude, seus passos e expectativas de liberdade. A voz lhe doía, as lágrimas passavam e embebiam-na em uma serenidade quase conformista, ela queria saber para onde estava indo. Suas perdas, as peças de teatro que assistira, a reprimenda de sua mãe e as colegas do liceu faziam sentido na penumbra da mesa posta.
Foi enquanto Olga enxugava a última lágrima no rosto que o marido traído repousou uma de suas mãos no ombro dela, mediu a tensão por debaixo da seda impecável e a chamou de volta para o quarto, venha, suspirou ele, e ela foi.

Texto: Paulo Augusto Franco

Sunday, January 04, 2009



O mar e as percepções


Num vilarejo fincado num litoral frio, a primavera chega em linhas traçadas por um violino. O mar choca-se com as pedras para gravar lá o som de seus lamentos trazidos de outras bandas onde as mesas de chá são postas em outros horários e de outras maneiras.

As casas do vilarejo são bordadas por roseiras que insistem em invadi-las através de suas janelas escancaradas, são construídas de forma a permitir que os rapazes subam para visitar as suas amadas durante o calar das noites claras. As senhoras caminham pelas pedras beliscando causos, uma jovem forasteira de longas tranças douradas tenta resgatar a alma de suas pinturas recalcadas pela força do amadurecimento, as crianças se ensopam de músicas folclóricas, os pássaros vão fazendo os seus ninhos enquanto os senhores distintos brindam em grandes canecas de vinho a juventude que já passou.

Todos os dias o mar leva todos os pensamentos dessa gente e trás novas idéias, renovando o litoral que cada um possui em suas extensas e bem cuidadas varandas. Os raios do sol trazem junto o sal que o mar descasca em sua intemperança, para temperar o leito onde cada um do vilarejo repousa os seus olhares e lembranças. Nada é esquecido, o tempo simplesmente passa assolando uns e acalentando outros e assim as vidas vão seguindo os seus cursos sem que haja trégua. Porém todos por lá estão sempre certos de que a serenidade é encontrada no próprio balanço afinado do mar.


Inspirado pelo filme: “o violinista que veio do mar”



Por Guto Franco





Tuesday, December 30, 2008

Querido Joaquim;



Mantive-me calada por um longo tempo procurando entender o efeito que a perda faz em nossas expectativas e na nossa capacidade de espera. Desde que você partiu, venho cultivando a esperança e a coragem dentro de um espaço novo que venho aprendendo a construir sem lamentar.

Sabe, quando estávamos juntos, aprendi a admirar as suas reações e a confortar-me em seus braços ao acordar, feito um passarinho novo na vida, eu me envolvi em seu universo de informações como se tivesse encontrado um subterfúgio perfeito e seguro costurando meus momentos em sua história sobre dois travesseiros.

Você partiu e não disse nada, não disse adeus, você apenas caminhou em frente, exatamente como a vida faz. Isso é rumo, é tempo e estrada. Parece que eu segui em frente e você usou o desvio, talvez seja o contrário. Contenho a imaginação neste momento.

São os últimos dias do ano e eu ainda enxergo aquela estrada pela qual nós fomos divididos, eu ainda penso na perda, nas flores e nas noites. O seu pijama ficou, os cd’s daquela época estão encostados e eu prefiro não toca-los justamente para deixar a estrada seguir o seu trajeto, cortando montanhas, desvirginando vales e encontrando os seus próprios desvios.

Meu amor, eu tento seguir buscando a paz para que você a sinta também, para isso eu tenho fortalecido o dom que tenho de observar a natureza e os ciclos da vida transformando os olhares em sentimentos de esperança e conforto para a alma. Tenho trabalhado bastante, regado e seguido firme no propósito que a vida renova a cada novo amanhecer sem você, e eu irei continuar assim para não perder, na banalidade que a insistência da dor cria em nós, os valores que você trouxe.

Com o amor dos fragmentos que você deixou.

Nina.

Thursday, November 27, 2008

Dos desabafos

“Tô com muita saudade dela....”

“Não significar mais nada é triste ,porém compreensível, sei lá, acontece.”

“Porque também somos aquilo que perdemos......... =/”

“ele se foi e eu tô feliz com isso! fui fiel ao meu compromisso e apesar da confusão e da tristeza profunda venci a provação e tô esperando minha recompensa , nem que seja só essa paz de espirito! Graças ao meu bom Deus!”

“Eu só queria uma surpresa, uma emoção, um afago.”

“Mais uma vez eu não falei EU TE AMO!!!”

“to cansada da desvalorização do ser humano...da banalização dos relacionamentos e dos sentimentos...
e mto cansada de não gostar de ninguém...com medo de nunca mais me apaixonar...
e triste por não ter 15 anos novamente....”

“Vou ter que tomar remédio pra dormir... Merda!”

“As pessoas são estranhas e eu gosto disso!”



Dos sentidos

Eu recortei alguns desabafos feitos num tópico de uma dessas comunidades populares de discussão na rede, fiquei lendo por um tempo e medindo o quanto cada uma dessas pessoas que escrevem aleatoriedades para si mesmas possui de mim, dos meus desejos que julgo tão íntimos e pessoais. Descubro a cada dia que a intimidade é mais uma invenção humana.

Desabafar é tirar aquilo que se encontra confinado no calor dos sentimentos, libertar algo que não consegue respirar, deixá-lo ser refrescado pelo ar, “des abafar”, “dês abolhar”... Penso no desabafo através da metáfora de um filhote sendo libertado de uma placenta, uma bolha sendo rasgada.



Da carta

Ela escreveu para Ele uma carta na qual entregava toda a sua alma vencida pelo desejo de continuar a viver sem o remorso que habitava o seu travesseiro. Escreveu sobre as tragédias que criou na infância, sobre as palavras que sentiu vontade de dizer e não disse apenas por prudência, questionou a fraqueza, a sua parcimônia através da incomunicabilidade. Medo?

Começou dizendo que se sentia vazia, empestiada por uma paixão abortada pelo silêncio, descarregou o ódio em cima de palavras rebuscadas, coladas de um dicionário “delta universal”. Tentou ser imprecisa para não cair mais uma vez no óbvio. Seguiu a carta escrevendo sobre os banhos quentes que tomaram juntos depois das chuvas, sobre os jogos de olhares que sempre queriam dizer algo, sobre os afagos em busca de esperança, ela tentou rasgar a bolha e libertar os demônios e as harpas.

No meio da carta, Ela tentou resgatar a sensatez, pensou em embolar tudo e jogar no lixo para recomeçar, colocou um CD do José González e desistiu, continuou. Ela passou a escrever agora sobre as manhãs e as despedidas, confessou que moía as horas do dia para procurá-lo em qualquer momento, confessou também que usou a sua frivolidade forjada para não se mostrar romântica, admitiu que a superficialidade ou apenas a sua hipótese era o seu pânico que morou em todos aqueles anos de relacionamento. Lamentou pouco e se divertiu com a hipótese de se controlar, logo vieram algumas lágrimas para confiscar o auto-domínio.

Escrevia para não ver as horas passarem, pois sabia que aquela angustia que a pressionava iria passar dali a algumas horas, queria cuspir todos os nós que cultivara na garganta junto com as expectativas e gestara durante muito mais que nove meses. Ela se sentia grávida de algo que desconhecia. A carta poderia ser os fórcipes.

Era hora de terminar a carta, antes que a música terminasse e a fizesse apagar vários verbos paridos. Ela tentou terminar com alguma frase de impacto, tentou assumir alguma culpa procurando por alguma moral que matasse tudo, que levasse flores ou que pelo menos aquietasse os questionamentos por algum tempo, não deu. Ela tentou culpá-lo pela chuva, pela febre... não deu. A música acabou, Ela não quis terminar, fechou e selou.

Da autoria: Paulo Augusto Franco.

Thursday, November 13, 2008

Téo e as gaivotas

Téo é um garoto de espírito forte e sereno, se sente vivo quando se entrega ao mar e ao seu cão, que o lambe uma das mãos quando o escuta tecer mais uma de suas melodias íntimas, ele gostar de ver o cão gostar. Suas falas são tênues e singelas, aprendeu essa sutileza com o violão que desde pequeno o acompanha. De leito em leito ele conspira os seus sortilégios e decepções.

Ele não gosta de televisão, pensa que banaliza as dores de suas paixões, forja os seus sentidos, impede as pessoas de ver o mar. Téo gosta de se surpreender enquanto admira as gaivotas que dançam no ar como se ouvissem melodias sendo compostas por um velho apaixonado. Ele gosta do leve, do imperial e das aquarelas cariocas, se mantém em silêncio para que os sons possam ter uma desculpa enfardada e venham resgatá-lo da inércia que às vezes o prende aos ritmos desnecessários dos dias que passam, passam...

Téo tem uma harpa e tem também uma tímida coleção de rótulos, chora quando o fim da tarde chega e acalma a maré, desce os olhos junto com o sol e os guarda por detrás da linha do mar. Téo segue o rumo das gaivotas como quem não espera pelo grande porque almeja bastante o infinito, inspira e canta baixo “saibamos pois, estamos sós”.

Texto: Paulo Augusto Franco.

Sunday, November 09, 2008

“É nossa identidade, a imagem que temos de nós, sempre diferente do que somos, que nos persegue e que esperamos compor por inteiro. Na busca por recompor os frangalhos da identidade, do saber de si, ficamos eternamente parados diante das portas cheia de ofertas proibidas, vitrines de um gozo de si sempre transferível à perversão dos objetos”.

Márcia Tiburi

Acordei com um sentimento de vazio existencial dos “brabos”, mantive-me inerte a tal realidade que tentava violar a “raspa” do plano onírico, que fica entre os abrir dos olhos e a constatação de um novo dia. Sempre depois de longas noites de boemia eu acordo assim, quando saio de casa para perceber a projeção que o meu habitat erótico possui no mundão lá fora, tenho a condição constante de analisar as palavras constituídas e as frases desaguadas a fim de questionar quem eu sou a partir do lugar onde eu me encontro no determinado momento.

Diante disso surge a melancolia da identidade trajada pelas idéias que tenho do meu eu, como todos nós sabemos, idéias dependem de um estado de espírito e logo estão sujeitas às incompreensões por si só, visto que podem constituir-se de falsas representações da realidade íntima.

Foi da inércia que eu me alimentei, parado diante do espelho do banheiro, eu conseguia enxergar além do limite do vidro, porém é impossível ultrapassá-lo fisicamente, analisei os resquícios da vida fora da caverna de Platão, sem as sombras que acabam por nos proteger da catarse do viver, da possibilidade do conflito com o outro, com o tempo e com o espaço, espelhos, limites e perversões ilusórias.

Sim, é o medo de sentir medo que nos move da cama para o banheiro, são as possibilidades abortadas do ontem que nos fazem lavar o rosto do hoje insistindo em trégua.

Sem pestanejar, voltei para cama só para remoer mais um pouco, para encontrar algum alívio para a ausência de sentido que as vezes a vida fora da bolha materna causa em nosso cotidiano de travessuras e desejos contidos. Fecho os olhos e tento parir uma pérola.

Texto: Paulo Augusto Franco.

Thursday, October 16, 2008

Em tempo

Eu sei que perdemos toda a sintonia que tínhamos com os mitos e moinhos fantásticos, sei que nos esqueceremos, eu deixarei de pertencer aos seus planos e aos seus discos de jazz, você deixará de participar dos meus devaneios de cinema, veja bem.

Inevitavelmente eu sei que o sexo estragará qualquer idéia de harmonia, pois ambos sabemos que o desejo é instantaneamente ligado à posse. Está claro que não somos espécies domesticáveis, a selva lá fora nos fez assim.

Eu sei que as estações mudam, os pássaros morrem e o vento leva, é por isso, meu amor, que entre nós a vida vai acontecer também. Você sabe que os mitos passam e se misturam com as tragédias e também sabe que naturalmente vamos endurecendo e tornando vícios ambulantes. Nós sabemos que Nina já não canta mais nos palcos, que aquela “nossa” loja de discos de vinil já não existe mais, sabemos que várias razões deixaram rastros que já parecem desaparecer, eu vejo através dos seus olhos incrédulos. Mesmo assim pergunto a nós: o cinismo é tão natural quanto os estímulos externos?

É justamente por que sabemos de tudo isso que eu te peço: fique? Só por esta noite... Deite-se ao meu lado?

Texto: Paulo Augusto Franco

Thursday, October 09, 2008

Três

Alice vivia um romance virtual com o seu grande e estupendo amor, Henrique. Não era uma romance qualquer, ela sempre dizia, eles viviam uma verdadeira estória de lirismo e pureza num quarteirão paralelo onde a estrela de um encontrava com a estrela do outro através de olhares sinceros. Ela se sentia firme e desejada através da tela do computador, era o seu alçapão protetor nas épocas de tornados. Eles iriam se casar, flores, filhos e pães frescos. Certezas.

Um dia, Alice resolveu comprar uma câmera na certeza de que havia adquirido com a sua obstinada moeda mais uma emoção para aquele “casamento” de maravilhas. Na noite seguinte os dois ligaram as câmeras, despiram os corpos e as almas, Henrique ficou em êxtase, Alice chorou, deitou-se e nunca mais acordou para Henrique. Nunca mais se “viram”.

Clarice é uma fotógrafa que vivi num bairro quase nobre de Belo Horizonte. Nos dias frios ela sai para fotografar pássaros nos parques e nas esquinas. Clá é popular entre os amigos, é bonita e todos os homens e mulheres desejam ter uma nota do seu corpo magro e sensível. Ela mora sozinha, cozinha sozinha, se sente altamente potente quando repete a sua paixão pela liberdade e pelos encantamentos que essa postura altiva a faz brilhar com a sua câmera nas mãos. O seu apartamento é claro, bem arejado, é um bom canto para dançar e festejar com os amigos nas noites de quinta-feira

Num dia de outono, ela saiu para fotografar pessoas nas ruas, parou em frente a um grupo de mendigos na rua da Bahia, focou numa senhora de cara sofrida e amarrotada, preparou a câmera e tic. “A menina não tem vida própria?” perguntou a senhora em tom sereno.

Nina (bata verde, cachecol florido e sapatilhas vermelhas) acabou de perder o pai, ela foi informada de que o câncer os havia vencido enquanto organizava os seus brinquedos de infância nas caixas do sótão. “Meu pai”, ela suspirou. Depois que a madrinha a deixou, ela começou a tirar os brinquedos de dentro das caixas e começou a construir um castelo com bonecos de playmobil prontos a atacar as tropas inimigas. Espadas, armaduras, cavalos e arqueiros presos em gestos rápidos e precisos de Nina, preparados para qualquer surpresa. As tropas começaram a galopar em direção ao castelo, as armadilhas estavam prontas e Nina estava ansiosa por isso.

À Caroline.

Texto: Paulo Augusto Franco.